segunda-feira, 24 de junho de 2013

Da Revista Terra Brasilis

Como construir a história da geografia?

¿Cómo construir la historia de la geografía?
Comment construit-on l’histoire de la géographie ?
How to build up the history of geography?
Paul Claval
Tradução de Larissa Alves de Lira e Breno Viotto Pedrosa

Para compreender o passado da geografia, é importante passar da memorização espontânea, geralmente oral, para uma história cuja abordagem seja organizada. Apesar das precauções tomadas em sua elaboração, a história ‘científica’ carrega a marca das preocupações e das ideologias que governam àqueles que a redigem: ela deve estar submetida à crítica. Esta história ressalta o peso das instituições responsáveis, ao mesmo tempo, pela construção dos sistemas de informação geográfica, pelo status dos geógrafos e os marcos em que eles trabalham. Ela leva em consideração a dimensão biográfica das pesquisas; a geografia é um métier; a pesquisa que ela suscita se aplica a um campus e mobiliza um corpus; ela se exerce sobre um terreno. O desenvolvimento das idéias pode seguir uma trajetória linear, resultar de múltiplas impulsões de círculos de afinidades, inscrever-se numa pluralidade de escolas, traduzir uma sucessão de fases da ciência normal e das revoluções científicas, ou evoluir a través de grandes viradas. A análise dos movimentos intelectuais, a maneira de Michel Foucault, e os trabalhos de sociologia das ciências, à maneira de Bruno Latour, questionam a proeminência da lógica das idéias.

sábado, 8 de junho de 2013

Desigualdades

FOME NA AMÉRICA

MÉXICO



País emergente com economia dependente dos Estados Unidos, tenta diversificar a exportação para sair dessa condição. Segundo o Conselho Nacional de Avaliação da Política de Desenvolvimento Social (Coneval), de uma população próxima aos 110 milhões, 51,3% vive na pobreza, ou seja, 55 milhões de mexicanos carecem dos recursos básicos para cobrir as necessidades básicas. O número resulta aterrorizante ao aumentar o espiral de pobreza ano após ano sem que existam soluções. Em 2008, o número de pessoas nessas condições era de 50,6 milhões, primcipalmente em Chiapas, Veracruz, Tabasco, Baixa Califórnia, Puebla, Jalisco, Guanajuato, Oaxaca, Guerrero, Morelos, Chihuahua e no Distrito Federal. Desde que o então presidente Carlos Salinas de Gortari aprovou em dezembro de 1992 o Tratado de Livre Comércio para a América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), que entrou em vigor em janeiro de 1994, a fome e a pobreza se tornaram os maiores males dos aztecas, unido à enorme violência dos cartéis de drogas na luta por transportar essa mercadoria ao maior consumidor de entorpecentes no mundo: os Estados Unidos. Uma das piores consequências do Nafta é a de ter obrigado mais de 2 milhões de camponeses, com seus familiares, a abandonar as terras que arrendavam pelos baixos preços dos produtos e o abandono governamental. Ao negociar a livre exploração de mercadorias, as empresas transnacionais e os agricultores estadunidenses (com enormes subsídios governamentais e modernas tecnologias de produção) inundaram os mercados mexicanos em detrimento de comerciantes e agricultores nacionais. As transnacionais de alimentos que operam dentro do país se tornaram as principais produtoras, importadoras, exportadoras e praticamente se dominaram a economia azteca. Várias fontes de trabalho desaparecem pela compra e concentração de terras por essas companhias, e pela utilização de novas técnicas industriais na agricultura. Pequenas fazendas foram eliminadas por enormes empórios como Tyson, Smithfield, Pilgrims Pride que se apoderaram da produção de gado ao mesmo tempo que provocam a poluição da água e da terra pelo afã de aumentar as produções sem cuidar do meio ambiente. Como afirmam os empresários, afinal, o país não é deles. O milho, alimento básico ancestral mexicano cuja produção nacional abastecia toda a população e ficavam excedentes para a exportação, foi praticamente eliminado dos campos desde a entrada em vigor do Nafta, ao quadruplicar as importações desse grão oriundo dos Estados Unidos. Com o aumento dos preços internacionais dos alimentos, provocado muitas vezes pelas companhias intermediárias (entre as quais se destacam Maseca /Archers, Daniel Midland e Cargill) que brincam com a fome dos pobres para se enriquecer, os preços das tortilhas de milho são quase inalcançáveis para os mexicanos. Se antes do Nafta o país gastava 1,8 bilhões de dólares com importação de alimentos, agora investe em 24 bilhões com a alta dependência de soja, 95%; arroz, 80%; milho, 70 %; trigo, 56 % e feijão, 33 %. Graças ao Nafta, funcionários do Departamento de Agricultura em Washington afirmam que nos próximos anos o México deverá adquirir 80% dos alimentos em outros países, principalmente nos Estados Unidos. Sob as rédeas do Tratado de Livre Comércio, muitos analistas consideram a nação azteca uma dependência de Washington, devido às leis neoliberais que permitem às companhias estrangeiras utilizar mão de obra barata para suas produções, explorar os recursos naturais, extrair petróleo a preços preferenciais e exportar os excessos de mercadorias norte-americanas para esse país. Nos últimos anos, várias nações, entre as que se destacam Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina, Nicarágua e Brasil possibilitaram que os índices de pobreza se reduzissem ao realizar políticas sociais a favor dos seus habitantes e tomar medidas para que as transnacionais não roubem suas economias. O aumento da desigualdade é outro aspecto que afeta a nação azteca já que, enquanto a metade da população não pode ter acesso às necessidades alimentares, educacionais ou de saúde, só oito magnatas nacionais possuem uma fortuna de mais de 90 bilhões de dólares que equivale a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O tratado permitiu o enriquecimento de uma minoria nativa, e ao mesmo tempo possibilitou Washington manter um maior controle sobre a economia azteca em detrimento do seu povo. 
fonte: http://www_cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21536

EUA (AMÉRICA DO NORTE)

Família típica norte americana

PREÇO DOS CEREAIS
Nos Estados Unidos os bois são empanturrados de acordo com um método altamente científico. Consomem por ano cerca de 500 mil toneladas de todo tipo de cereais. No Midle West norte americano e na califórnia os bois se alimentam de cereais em imensos recintos climatizados denominados feed lots, por meio de um sistema eletrônico de distribuição regular de alimento. Os animais são mantidos alinhados e imóveis. Uma só dessas instalações para gado pode albergar mais de 10.000 animais. Calcula-se que a quantidade de milho consumido anualmente pela metade dos feed lots californianos é maior do que o conjunto das necessidades de um país como a Zâmbia, onde esse cereal é um alimento essencial, e, além disso, é devastado por uma subalimentação crônica. Outro problema é o preço desses cereais nas bolsas de valores. Para os donos da bolsa de Chicago, por exemplo, pouco importa se os governos da Etiópia, Chade ou do Haiti, comprometidos numa luta contra a fome, não podem pagar esses preços. O que importa é a garantia de seus lucros exorbitantes.


AMÉRICA DO SUL



Apesar de ser uma das regiões que mais produz alimentos, a América do Sul ainda tem mais de 33 milhões de pessoas passando fome. Juntos, América Latina e Caribe possuem uma população de 597 milhões de pessoas e produzem comida suficiente para alimentar 746 milhões. Estes números mostram que “a fome é fundamentalmente um problema de acesso aos alimentos e não de disponibilidade”, afirmou o Representante Regional da Organização da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO) para América Latina e Caribe, Raul Benitez. “É inaceitável que ainda haja fome em uma região que produz uma quantidade de comida que é bem acima de suas necessidades. Para isso, é preciso continuar a trabalhar com os governos para criar políticas para melhorar a distribuição dos benefícios do crescimento econômico e produção agrícola, apoiando-os para alcançar a meta de erradicar a fome, uma meta que sabemos ser perfeitamente possível”, declarou Benitez. No entanto, histórias de sucesso mostram que estados comprometidos com a segurança alimentar podem fazer progressos significativos na redução da fome. Haiti, Nicarágua, Peru e Brasil, entre outros, reduziram os níveis de subnutrição em magnitudes diferentes, mas de forma constante ao longo das últimas duas décadas, movendo-se no sentido de atingir o primeiro dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Na América do Sul, o Peru reduziu a desnutrição em mais de 20 pontos percentuais nas últimas duas décadas, de 32,6% em 1990-92 para 11,2% no período de 2010-12, enquanto o Brasil tem empreendido uma grande campanha para acabar com a fome, incentivando grandes mudanças. O país tem agora níveis de desnutrição de 6,9%, um dos maiores avanços na região.

fontes: http://www_onu.org.br/33-milhoes-de-pessoas-passam-fome-na-america-do-sul-afirma-fao
http://geonatela.blogspot.com.br/2013/06/america-do-norte.html

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Educação brasileira

Conheça as 20 metas do Plano Nacional de Educação

Projeto em análise no Congresso traça objetivos para o ensino no Brasil até 2020

Em análise no Congresso desde 2011, o Plano Nacional da Educação (PNE) traça objetivos e metas para o ensino no País em todos os níveis (infantil, básico e superior) para serem cumpridos até 2020. A meta mais polêmica é a 20, que trata do percentual do PIB que deve ser investido em educação. Para garantir o que chama de " revolução no ensino"  e o cumprimento desta meta, a presidente enviou ao Congresso, paralelamente, um outro projeto para destinar  100% dos royalties do petróleo e recursos do pré-sal em educação. 

Saiba o que prevê o PNE:
Meta 1 
Universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para as crianças de quatro a cinco anos de idade e ampliar a oferta de educação infantil em creches de forma a atender, no mínimo, 50% das crianças de até três anos até o final da vigência deste PNE.
Meta 2 
Universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda a população de seis a 14 anos e garantir que pelo menos 95% dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até o último ano de vigência deste PNE.
Meta 3 
Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até o final do período de vigência deste PNE, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%.
Meta 4 
Universalizar, para a população de quatro a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino.
Meta 5 
Alfabetizar todas as crianças, no máximo, até os oito anos de idade, durante os primeiros cinco anos de vigência do plano; no máximo, até os sete anos de idade, do sexto ao nono ano de vigência do plano; e até o final dos seis anos de idade, a partir do décimo ano de vigência do plano.
Meta 6 
Oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% dos alunos da educação básica.
Meta 7 
Fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o Ideb :
Ideb2015201720192021
Anos iniciais do ensino fundamental5,25,55,76
Anos finais do ensino fundamental4,755,25,5
Ensino médio4,34,755,2

Meta 8 
Elevar a escolaridade média da população de 18 a 29 anos, de modo a alcançar no mínimo 12 anos de estudo no último ano de vigência deste Plano, para as populações do campo, da região de menor escolaridade no País e dos 25% mais pobres, e igualar a escolaridade média entre negros e não negros declarados à Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE.)
Meta 9 
Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional.
Meta 10 
Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos, na forma integrada à educação profissional, nos ensinos fundamental e médio.
Meta 11 
Triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% de gratuidade na expansão de vagas.
Meta 12 
Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta.
Meta 13 
Elevar a qualidade da educação superior e ampliar a proporção de mestres e doutores do corpo docente em efetivo exercício no conjunto do sistema de educação superior para 75%, sendo, do total, no mínimo, 35% de doutores.
Meta 14 
Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu, de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.
Meta 15 
Garantir, em regime de colaboração entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, no prazo de um ano de vigência deste PNE, política nacional de formação dos profissionais da educação de que tratam os incisos I, II e III do art. 61 da Lei nº 9.394/1996, assegurando-lhes a devida formação inicial, nos termos da legislação, e formação continuada em nível superior de graduação e pós-graduação, gratuita e na respectiva área de atuação.
Meta 16 
Formar, até o último ano de vigência deste PNE, 50% dos professores que atuam na educação básica em curso de pós-graduação stricto ou lato sensu em sua área de atuação, e garantir que os profissionais da educação básica tenham acesso à formação continuada, considerando as necessidades e contextos dos vários sistemas de ensino.
Meta 17 
Valorizar os profissionais do magistério das redes públicas de educação básica de forma a equiparar seu rendimento médio ao dos demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano de vigência deste PNE.
Meta 18 
Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de carreira para os profissionais da educação básica e superior pública de todos os sistemas de ensino e, para o plano de carreira dos profissionais da educação básica pública, tomar como referência o piso salarial nacional profissional, definido em lei federal, nos termos do inciso VIII do art. 206 da Constituição Federal.
Meta 19 
Garantir, em leis específicas aprovadas no âmbito da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, a efetivação da gestão democrática na educação básica e superior pública, informada pela prevalência de decisões colegiadas nos órgãos dos sistemas de ensino e nas instituições de educação, e forma de acesso às funções de direção que conjuguem mérito e desempenho à participação das comunidades escolar e acadêmica, observada a autonomia federativa e das universidades.
Meta 20 
Ampliar o investimento público em educação de forma a atingir, no mínimo, o patamar de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do País no quinto ano de vigência desta Lei e, no mínimo, o equivalente a 10% do PIB no final do decênio.
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-06-03/conheca-as-20-metas-do-plano-nacional-de-educacao.html

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Portal para tecnologias educacionais


Unicamp lança ferramenta educacional na internet


Agência FAPESP – A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) lançou uma nova ferramenta educacional, o portal e-Unicamp, que já está operando experimentalmente.
O novo portal foi criado pelo Grupo Gestor de Tecnologias Educacionais (GGTE), em conjunto com as pró-reitorias de Graduação e de Pós-Graduação. A proposta é estimular o uso de tecnologias na área de educação e incentivar o relacionamento entre docentes, alunos e a comunidade em geral.
O novo serviço começa com diversos vídeos, animações, simulações e ilustrações para apoiar as aulas de diversas disciplinas criadas por professores da universidade.
De acordo com a Unicamp, o novo portal foi desenvolvido para impulsionar o uso de tecnologias educacionais que permitem a criação de novos relacionamentos entre professores, estudantes e comunidade. O acesso aos materiais poderá ser feito de forma livre e sem custo. Não há necessidade de se inscrever nem de outras formalidades, mas é preciso observar e estar de acordo com as condições previstas nos termos de uso.
Paralelamente ao portal, o usuário pode empregar o ToolDo, um software livre que permite desenvolver conteúdo multimídia, organizado em aulas, tópicos e páginas. Suas funcionalidades são acessadas por meio da internet, sem a necessidade de instalar software específico. O software administra as etapas de editoração antes mesmo da publicação.

Da agência Fapesp.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Pesquisa


Hidrelétricas podem afetar sistema hidrológico do Pantanal Por Elton Alisson

Agência FAPESP – O projeto de construção de mais 87 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) na Bacia do Alto Paraguai, em discussão atualmente, pode afetar a conectividade do planalto – onde nasce o Rio Paraguai e seus afluentes – e a planície inundada do Pantanal – por onde as águas desses rios escoam –, dificultando o fluxo migratório de peixes e outras espécies aquáticas e semiaquáticas pelo sistema hidrológico.
O alerta foi feito por pesquisadores durante o terceiro evento do Ciclo de Conferências 2013 do BIOTA Educação, que teve como tema o Pantanal. O evento foi realizado pelo programa BIOTA-FAPESP no dia 18 de abril, na sede da FAPESP.
De acordo com José Sabino, professor da Universidade Anhanguera-Uniderp, o impacto das PCHs já existentes na região da Bacia do Alto Paraguai não são tão grandes porque, em geral, baseiam-se em uma tecnologia denominada “a fio d’água” – que dispensa a necessidade de manter grandes reservatórios de água.
A somatória das cerca de 30 PCHs existentes com as 87 planejadas, no entanto, pode impactar a hidrologia e a conectividade das águas do planalto e da planície da Bacia do Alto Paraguai e dificultar processos migratórios de espécies de peixes do Pantanal, alertou o especialista.
“A criação dessas PCHs pode causar a quebra de conectividade hidrológica de populações e de processos migratórios reprodutivos, como a piracema, de algumas espécies de peixes”, disse Sabino.
Durante a piracema, o período de procriação que antecede as chuvas do verão, algumas espécies de peixes, como o curimbatá (Prochilodus lineatus) e o dourado (Salminus brasiliensis), sobem os rios até as nascentes para desovar.
Se o acesso às cabeceiras dos rios for interrompido por algum obstáculo, como uma PCH, a piracema pode ser dificultada. “A construção de mais PCHs na região do Pantanal pode ter uma influência sistêmica sobre o canal porque, além de mudar o funcionamento hidrológico, também deve alterar a força da carga de nutrientes carregada pelas águas das nascentes dos rios no planalto que entram na planície pantaneira”, disse Walfrido Moraes Tomas, pesquisador do Centro de Pesquisa Agropecuária do Pantanal (CPAP) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Mato Grosso do Sul, palestrante na conferência na FAPESP.
“Isso também poderá ter impactos nos hábitats de espécies aquáticas ou semiaquáticas”, reiterou Tomas. De acordo com o pesquisador, o Pantanal é uma das áreas úmidas mais ricas em espécies do mundo, distribuídas de forma abundante, mas não homogênea, pela planície pantaneira.
Alguns dos últimos levantamentos de espécies apontaram que o bioma possui 269 espécies de peixes, 44 de anfíbios, 127 de répteis, 582 de aves e 152 de mamíferos.
São necessários, no entanto, mais inventários de espécies para preencher lacunas críticas de conhecimento sobre outros grupos, como o dos invertebrados – sobre os quais ainda não há levantamento sobre o número de espécies –, além de crustáceos, moluscos e lepidópteros (ordem de insetos que inclui as borboletas), que ainda são pouco conhecidos.
“Uma iniciativa que vai nos dar uma grande contribuição nesse sentido será o programa Biota Mato Grosso do Sul, que começou ser implementado há três anos”, disse Tomas.
Inspirado no BIOTA-FAPESP, o programa Biota Mato Grosso do Sul pretende consolidar a infraestrutura de coleções e acervos em museus, herbários, jardins botânicos, zoológicos e bancos de germoplasma do Mato Grosso do Sul para preencher lacunas de conhecimento, taxonômicas e geográficas, sobre a diversidade biológica no estado.
Para atingir esse objetivo, pesquisadores pretendem informatizar os acervos e coleções científicas e estabelecer uma rede de informação em biodiversidade entre todas as instituições envolvidas com a pesquisa e conservação de biodiversidade do Mato Grosso do Sul.
“Começamos agora a fazer os primeiros inventários de espécies de regiões- chave do estado e estamos preparando um volume especial da revista Biota Neotropica sobre a biodiversidade de Mato Grosso do Sul, que será um passo fundamental para verificarmos as informações disponíveis sobre a biota do Pantanal e direcionar nossas ações”, disse Tomas à Agência FAPESP.
“Diferentemente do Estado de São Paulo, que tem coleções gigantescas, Mato Grosso do Sul não dispõe de grandes coleções para fazermos mapeamentos de diversidade. Por isso, precisaremos ir a campo para fazer os inventários”, explicou.
Espécies ameaçadas
Segundo Tomas, das espécies de aves ameaçadas, vulneráveis ou em perigo de extinção no Brasil, por exemplo, 188 podem ser encontradas no Pantanal. No entanto, diminuiu muito nos últimos anos a ocorrência de caça de espécies como onça-pintada, onça-parda, ariranha, arara-azul – ave símbolo do Pantanal – e jacaré.
E não há indícios de que a principal atividade econômica da região – a pecuária, que possibilitou a ocupação humana do bioma em um primeiro momento em razão de o ambiente ser uma savana inundada com pastagem renovada todo ano – tenha causado impactos na biota pantaneira.
“Pelo que sabemos até agora, nenhuma espécie da fauna do Pantanal foi levada a risco de extinção por causa da pecuária”, afirmou Tomas. Já a pesca – a segunda atividade econômica mais intensiva no Pantanal – pode ter impactos sobre algumas espécies de peixes.
Isso porque a atividade está focalizada em 20 das 270 espécies de peixes do bioma pantaneiro, em razão do tamanho, sabor da carne e pela própria cultura regional.
Entre elas, estão o dourado, o curimbatá, a piraputanga (Brycon hilarii), o pacu (Piaractus mesopotamicus) e a cachara (Pseudoplatystoma reticulatum) – um peixe arisco encontrado em rios como Prata e Olho D’água, que pode chegar a medir 1,20 metro e pesar 40 quilos.
“Há indícios de que, pelo fato de a pesca no Pantanal ser direcionada a algumas espécies, a atividade possa reduzir algumas populações de peixes”, disse Sabino.
Além de Sabino e Tomas, o professor Arnildo Pott, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), de Campo Grande, também proferiu palestra, sobre a origem, evolução e diversidade da vegetação do Bioma Pantanal. 
Estratégias de conservação
Os pesquisadores também chamaram a atenção para o fato de que, atualmente, apenas cerca de 5% do Pantanal está protegido por unidades de conservação. E que muitas das espécies de animais da região, como a onça- pintada, a ariranha e a arara-azul, por exemplo, não são protegidas efetivamente, porque ficam fora dessas unidades de conservação.
“A conservação de espécies ameaçadas no Pantanal requer estratégias mais amplas do que apenas a implantação ou gestão das unidades de conservação”, destacou Tomas. “São necessárias políticas de gestão de bacias hidrográficas e de remuneração por serviços ecossistêmicos para assegurar a conservação de espécies ameaçadas.”
Organizado pelo Programa BIOTA-FAPESP, o Ciclo de Conferências 2013 tem o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento do ensino de ciência. A quarta etapa será no dia 16 de maio, quando o tema será “Bioma Cerrado”. Seguem-se conferências sobre os biomas Caatinga (20 de junho), Mata Atlântica (22 de agosto), Amazônia (19 de setembro), Ambientes Marinhos e Costeiros (24 de outubro) e Biodiversidade em Ambientes Antrópicos – Urbanos e Rurais (21 de novembro). 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Mercosul


Brasil condiciona volta do Paraguai ao Mercosul à entrada da Venezuela no bloco


   A presidente Dilma Rousseff pretende telefonar ainda nesta segunda-feira ao presidente e leito do Paraguai, Horacio Cartes. O gesto marcará oficialmente o reconhecimento do Brasil à escolha do novo líder.


A avaliação de integrantes do governo brasileiro é de que o Paraguai só deve retornar ao Mercosul após o Congresso de lá aprovar a adesão da Venezuela ao bloco, e depois de uma análise por parte dos países que integram o grupo econômico.
O Paraguai foi suspenso do Mercosul após a controversa deposição do então presidente Fernando Lugo, em junho passado. Na ocasião, Brasil, Argentina e Uruguai decidiram pela entrada da Venezuela à revelia do Paraguai, o único país que resistia à medida.
Segundo a Folha apurou, observadores brasileiros baseados no país vizinho estão otimistas quanto as chances de readmissão, mas não prevêem o retorno antes de agosto, mês da posse de Horacio Cartes.
Primeiro, afirmam interlocutores da presidente Dilma, é preciso saber o resultado da eleição do Senado para então avaliar se haverá maioria simpática à votação.
Para o Brasil, o Partido Colorado deve usar a morte de Hugo Chávez como pretexto para quebrar resistências no Congresso e encaminhar a proposta de adesão do país hoje governado por Nicolás Maduro. Esperam, ainda, que o próprio Horacio Cartes lidere uma ação interna para viabilizar a proposta.
Durante a campanha, o novo presidente disse que, para ele, a Venezuela "está dentro do Mercosul" e considerou o ingresso legítimo, mesmo tendo a reprovação do Senado paraguaio.
RECONHECIMENTO
O Brasil é o único dos três países-fundadores do Mercosul que ainda não reconheceu oficialmente o novo presidente do Paraguai, o colorado Horacio Cartes. O país está suspenso do bloco desde junho passado, após o contestado impeachment-relâmpago de Fernando Lugo.
Em seu Twitter, a presidente argentina, Cristina Kirchner, felicitou na noite de ontem o colorado e disse "esperá-lo no Mercosul".
"Seu lugar está ali no Mercosul junto a todos nós, como sempre", disse Cristina. "De novo estamos completos na América do Sul. É preciso."
Ela disse ter telefonado para o novo presidente paraguaio na noite de domingo. "Do outro lado da linha, escuto a voz de Horacio Cartes saudando-me com muita alegria", afirmou.
O presidente uruguaio, José Mujica, também telefonou para o vizinho. Segundo um comunicado da Presidência, Mujica convidou Cartes para a próxima cúpula do Mercosul, que será em junho, em Montevidéu. Disse ainda que pretende estar na posse do colorado.
"É muito importante que se tenham celebrado estas eleições com normalidade e que o país-irmão viva a democracia em sua plenitude", disse Mujica, segundo o comunicado.
O governo de Nicolás Maduro, na Venezuela --país que entrou para o Mercosul enquanto o Paraguai estava suspenso--, parabenizou Cartes e espera a volta da democracia no país e que o novo governo "retome o caminho da democracia e da justiça social".
O candidato colorado venceu com 45,8% dos votos, contra 36,9% obtidos pelo liberal Efraín Alegre, do partido do presidente Federico Franco.
Com informações de ISABEL FLECK, enviada especial a Assunção.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Conflitos no campo


MST começa protestos e fecha rodovias pelo país nesta quarta-feira

Carlos Madeiro Do UOL, em Maceió


O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) realiza, nesta quarta-feira (17), uma série de mobilizações em todo o país para lembrar os 19 mortos no massacre de Eldorado dos Carajás (PA), ocorrido há exatos 17 anos. São prometidos 1.800 bloqueios em rodovias e estradas vicinais de 1.800 municípios -todos por 19 minutos, com cada minuto lembrando uma das vítimas do massacre.
As manifestações fazem parte da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, também conhecido como "Abril Vermelho". Foram promovidos atos em vários Estados, com protestos e ocupações de terra e prédios públicos.
Este ano, a jornada do MST também cobra a presidenta Dilma Rousseff a lançar um plano emergencial para o assentamento das 150 mil famílias no País. Segundo o movimento, o atual governo é o que menos assentou trabalhadores desde governo Fernando Collor.
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Abril Vermelho de 20118 fotos

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04.abr.2011 Entidades ligadas à agricultura familiar, o MSTI e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fazem protesto na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, nesta terça-feira. O MST programa para todo o mês de abril uma jornada nacional de lutas, conhecida como "Abril Vermelho". Entre as ações do Abril Vermelho, estão ocupações e invasões de terras Leia mais Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Distrito Federal

Em Brasília, uma marcha em direção ao STF (Supremo Tribunal Federal) deixou o trânsito congestionado no eixo monumental, nesta manhã, e causou irritação de motoristas. Na capital federal, o protesto é para cobrar celeridade no julgamento de causas fundiárias.
Segundo o MST, há 523 processos judiciais envolvendo a reforma agrária no Brasil, dos quais 234 estão parados na Justiça Federal.
Em Belo Horizonte, os sem terra fecharam o anel rodoviário, no início da manhã, e causaram um grande congestionamento no bairro Betânia, região oeste da capital mineira.
Além de lembrar o massacre de Eldorado, o movimento cobra também a condenação dos fazendeiro Adriano Chafik, acusado de ser mandante do Massacre de Felisburgo, ocorrido no Vale do Jequitinhonha, em novembro de 2004, quando cinco sem terra foram mortos e 20 ficaram feridos. O julgamento está marcado para 15 de maio.

São Paulo

Vários grupos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) prometem fazer hoje o maior protesto enfrentado pela gestão de Fernando Haddad (PT). Eles têm a intenção de reunir 10 mil pessoas em frente à sede da Prefeitura de São Paulo, no viaduto do Chá, no centro da capital.
Pela manhã, Haddad disse que é natural a ansiedade do movimento de moradia. No entanto, afirmou que não é de "bom tom" que os sem-teto queiram escolher as pessoas responsáveis pela negociação por parte da Prefeitura.
Os líderes do movimento se recusam a negociar com o secretário de Habitação, José Floriano de Azevedo Marques Neto, do Partido Progressista, o mesmo de Paulo Maluf, e com um interlocutor escolhido pela pasta.
"Se a pessoa se recusa a dialogar, o diálogo se torna impossível", disse o prefeito. "São muitos anos sem produção de moradia. O movimento está ansioso", afirmou Haddad
"Vamos conviver com isso porque não se constrói moradia do dia para a noite. As moradias estão mapeadas e nos próximos dias nós vamos anunciar nosso plano de ação."
Ele afirma que para cumprir a promessa de construir 55 mil unidades é necessário "mirar" um número maior. "Temos cerca de 90 mil moradias mapeadas.

Paraná

No Paraná, o MST informou que foram fechadas 20 rodovias nesta manhã. Foram bloqueadas estradas em Cascavel, Ramilândia, Clevelândia, Renascença, Londrina, Guairaçá, Nova Esperança, Santo Inácio, Faxinal, Tamarana, Porecatu, Arapongas, Pitanga, Ivaiporã, Ponta Grossa, Rio Bonito do Iguaçu, Quedas do Iguaçu, Luiziana, e Mandaguari.
Além disso, cerca de 150 sem terra realizam um ato em frente ao Tribunal de Justiça. O MST cobra, no Estado, o julgamento dos crimes ocorridos em causas fundiárias. No Estado, o movimento contabiliza 19 assassinatos, entre 1994 a 2009, e somente quatro foram julgados.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, cerca de 1.500 integrantes do MST e de outros movimentos ocuparam o prédio da Secretaria de Educação do Estado, em Porto Alegre. Eles exigem do governo investimentos na educação pública nas áreas de assentamentos.
Uma comissão de representantes dos movimentos foi recebida pela secretária-adjunta, Maria Olalia, que recebeu a pauta de reivindicações dos sem terra.

Pernambuco

Em Pernambuco, Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o MST realizou protestos fechando a BR-101 nos municípios de Xexéu, Escada e Goiana. Outro protesto ocorreu na BR-408, em Paudalho.
Mais de 350 famílias realizaram cinco ocupações desde o último domingo (14) no Estado. Os sem terra ocuparam fazendas e usinas em Petrolina, Catende, Arcoverde, Itaquitinga e São Caetano.
Segundo o MST, em Pernambuco existem 163 acampamentos, com mais de 16 mil famílias à espera da reforma agrária. O movimento denuncia que, em 2012, apenas uma nova área foi desapropriada e cobram celeridade na reforma agrária.

Alagoas

Em Alagoas, os sem terra fazem uma marcha até o Fórum de Atalaia (a 45 km de Maceió). A cidade foi escolhida por conta da violência fundiária. O MST lembra a morte de três líderes: Chico do Sindicato, morto em 1995, e José Elenilson, assassinado em 2000, e o diretor do MST Jaelson Melquíades, moorto e 2005.
Também como protesto, a BR-316 foi bloqueada. Os sem terra também seguirão em carreata para a Maceió, onde devem acampar na praça Sinimbu, que fica em frente à superintendência do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Alagoas.

Ceará

No Ceará, cerca de mil integrantes do MST ocuparam, nessa terça-feira, um terreno às margens do Canal do Trabalhador, em Pacajus (região metropolitana de Fortaleza). Segundo a direção do MST, a mobilização no Ceará é para exigir políticas públicas de combate aos efeitos da seca na região, além de investimentos estruturais em assentamentos e acampamentos, além da reforma agrária no Estado.
Os agricultores reclamam que as áreas de assentados e acampados vive em "situação crítica", com a falta rotineira de água, a perda do rebanho e da produção agrícola por causa da longa estiagem.
Os manifestantes ocuparam a sede do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra às Secas) para pedir uma reunião com representantes de órgãos federais e fazer reivindicações para amenizar os problemas causados pela estiagem prolongada.
Segundo o MST, está marcada audiência com o governador Cid Gomes (PSB) para essa quinta-feira (18), quando serão discutidas questões ligadas à estrutura de assentamentos e acampamentos e ações de combate aos efeitos da seca.

Invasões na semana

Os sem terra realizaram também, esta semana, uma série de ocupações pelo país. Na manhã dessa terça-feira, cerca de 4.000 trabalhadores e trabalhadoras rurais ocuparam o Ministério da Fazenda, em Porto Alegre, onde prometem permanecem acampados por tempo indeterminado.
Eles reivindicam a criação de uma Política Nacional Camponesa, que apresente "alternativas aos limites enfrentados no campo para acesso ao conhecimento, à saúde, à moradia, ao saneamento básico, ao lazer e à cultura, assim como a garantia das condições técnicas para a produção de alimentos saudáveis."
Em Eldorado dos Carajás, trabalhadores rurais iniciaram, como já é tradição, o acampamento pedagógico da juventude, que acontece até hoje, quando os jovens vão fechar a rodovia próxima ao acampamento. Também foram realizados protestos e ocupações, este mês, no Estados de Alagoas, Bahia, Paraíba e Rio de Janeiro.