quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Ensino-aprendizagem

Curso de Geografia- Criatividade garante interesse nas aulas em campus no MS



           Favorável ao uso da criatividade nas aulas de geografia, o professor Francisco José Avelino Júnior diz que, na verdade, com a postura teórica e as metodologias aplicadas em sala de aula, é impossível não ser criativo. Ele costuma usar recursos como mapas, livros e artigos científicos, filmes e equipamento data-show.

     Na opinião do professor, a motivação dos alunos depende da metodologia adotada em sala de aula. Ele acredita que deve sempre ser criativa para levar o aluno a analisar e a compreender como se dá o processo de (re)organização do espaço.
      No início de suas aulas, Avelino Júnior costuma lançar o tema O que É a Geografia. A partir das respostas, promove um debate sobre o que os estudantes entendem por geografia, a visão deles e como tudo pode ser trabalhado a partir das correntes teórico-metodológicas atuais da área.
       Para tornar as aulas ainda mais criativas, o professor organiza, a cada semestre, uma viagem de estudos a diferentes partes do país com os alunos do curso de mestrado em geografia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, campus Três Lagoas. Essas saídas de campo são consideradas por ele importantes em todas as áreas da geografia. Avelino Júnior entende que elas enriquecem o ensino e a aprendizagem ao propiciar a discussão de diversos temas nos vários locais visitados — assentamentos, indústrias, aldeias indígenas, quilombos, cidades ou rios.

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Entrevista


Lana de Souza Cavalcanti fala sobre o ensino de Geografia com novas abordagens

Para a especialista, explicar conceitos geográficos não basta. O educador precisa de reflexão e atualização constantes

Beatriz Vichessi 

Lana de Souza Cavalcanti. Foto: Carolina de Góes
Lana de Souza Cavalcanti
Vários modelos educacionais já foram experimentados para tratar de questões geográficas na escola brasileira. Durante a década de 1970, predominava a tendência do ensino baseado no trinômio "natureza, homem e economia". Esses conceitos, no entanto, eram vistos de forma fragmentada, cada qual tendo uma lógica própria e isolada dos demais. Depois, até os anos 1980, ocorreu o movimento de renovação no ensino da disciplina, que apontava para a ineficiência da metodologia adotada anteriormente. Surgiu, assim, uma Geografia crítica, acompanhando a evolução da ciência geográfica. Vivia-se a passagem da década de 1980 para a de 1990, um momento de abertura política e de especificação dos problemas sociais que o Brasil enfrentava. A disciplina assumiu a missão de denunciar contradições do modo de produção capitalista, tendo como proposta uma sociedade alternativa. Foi quando a geógrafa Lana de Souza Cavalcanti apresentou sua tese de mestrado e deu início a um percurso acadêmico dedicado à disciplina escolar e à formação docente - caminho que ela trilha até hoje na Universidade Federal de Goiás (UFG). Na entrevista a seguir, a pesquisadora afirma que não existe Geografia escolar de qualidade sem uma ponte que ligue a disciplina à vida cotidiana dos alunos. Ela defende o protagonismo dos professores e fala sobre questões delicadas referentes ao ensino para turmas de Ensino Fundamental.

Existe alguma diferença entre a Geografia como disciplina escolar e a ciência geográfica?
LANA DE SOUZA CAVALCANTI 
Sim, embora ambas analisem a realidade pela mesma perspectiva. O modo como cada uma compõe e organiza os temas de estudo é diferente. No mais, a primeira é um feixe de referências - e, entre elas, está a ciência geográfica estudada nas nossas universidades. Para lecionar no Ensino Fundamental, não basta aplicá-la diretamente, nem de um modo simplificado. A disciplina tem história, estrutura e lógica próprias. Muitos professores recém-formados não têm isso claro e se sentem atormentados por não conseguir aplicar o que aprenderam na graduação.

Qual é a chave para que as aulas da disciplina tenham bases sólidas?
LANA 
O foco na escola deve estar nos mesmos conteúdos aprendidos na graduação. Mas eles devem ser estruturados de outra maneira para ser apresentados às crianças. Preocupa ver que isso nem sempre é discutido na universidade. Resultado: quando chegam à sala de aula, os recém-graduados abandonam os conteúdos que aprenderam e se rendem a uma estrutura engessada. É preciso que eles alimentem a disciplina com novas reflexões e abordagens. Isso evita a deterioração da Geografia acadêmica, pois quem torna a disciplina viva é o educador

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 http://revistaescola.abril.com.br/geografia/fundamentos/lana-souza-cavalcanti-fala-ensino-geografia-novas-abordagens-611976.shtml

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Atualidade


O imenso buraco negro da economia global

Data: 14/01/2013  
Fonte: Carta Maior

Novo relatório disseca “mundo offshore” — rede planetária de instituições financeiras onde os 0,1% mais ricos escondem (e manipulam) algo como PIBs dos EUA e China combinados

Por Sarah Jaffe, no Alternet | Reproduzido por Carta Maior, com tradução de Libório Júnior

“Vinte e e um trilhões - com “t” - de dólares. Eis o que as pessoas mais ricas do mundo escondem em paraísos fiscais internacionais. Embora a quantidade real possa ser maior, chegando aos 32 trilhões, uma vez que, claro, é quase impossível conhecê-la com exatidão.Ao mesmo tempo em que os governos cortam o gasto público e demitem os trabalhadores, em prol de uma maior “austeridade” obrigada pela desaceleração da economia, os super-ricos - menos de 10 milhões de pessoas - esconderam longe do alcance do arrecadador de impostos uma quantidade igual às economias japonesa e estadunidense juntas.Os dados são de um novo relatório da Tax Justice Network (Rede para a justiça tributária) [1] cujas conclusões são impactantes. As receitas fiscais perdidas graças aos refúgios fiscais extraterritoriais – offshore -, afirma o relatório, “são suficientemente grandes para marcar uma diferença significativa em todas nossas medidas convencionais da desigualdade. Dado que a maior parte da riqueza financeira desaparecida pertence a uma pequena elite, o efeito é assustador”.James S. Henry, ex-economista chefe em McKinsey & Co, autor do livro The Blood Bankers (Os banqueiros ensanguentados) assim como de artigos em publicações como o The Nation e o The New York Times, procurou suas informações no Banco de Compensações Internacionais,no Fundo Monetário Internacional, no Banco Mundial, nas Nações Unidas, nos bancos centrais e analistas do setor privado, e descobriu os contornos da gigantesca reserva de dinheiro que flutua nesse lugar nebuloso conhecido como offshore. (E isso que só se ocupou do dinheiro em espécie: o relatório deixa de lado coisas como bens de raízes, iates, obras de arte e outras formas de riqueza que os super-ricos escondem, livres de impostos, nos paraísos fiscais extraterritoriais.)Henry refere-se a eles como um “buraco negro” na economia mundial e afirma que, “apesar de ter muito cuidado em ser cauteloso, por prudência, os resultados são assustadores.”
Há uma grade quantidade de informação para analisar neste relatório, pelo que nos limitamos aqui a seis coisas que devemos saber sobre o dinheiro que os mais ricos do mundo escondem de nós.
1. APRESENTAMOS-LHES O TOP 0,001%
“Segundo nossas estimativas, pelo menos um terço de toda a riqueza financeira privada, e quase a metade de toda a riqueza offshore, é agora propriedade das 91.000 pessoas mais ricas do mundo: só 0,001% da população mundial”, diz o relatório. Esses 91.000 que formam o vértice da pirâmide têm cerca de 9,8 trilhões de dólares do total estimado neste estudo, e menos de dez milhões de pessoas detêm todo o volume de dinheiro em espécie.Quem são essas pessoas? Sabemos que são os mais ricos, mas o que mais sabemos deles? O relatório menciona “especuladores imobiliários chineses e magnatas do software de Vale do Silício, com idades em torno de trinta anos”, e em seguida estão aqueles cuja riqueza provém do petróleo e do tráfico de drogas. Não menciona, mas poderia, os candidatos presidenciais dos Estados Unidos. Por exemplo, Mitt Romney que recebeu fortes críticas por ter dinheiro guardado em uma conta bancária na Suíça e em investimentos nas Ilhas Cayman, segundo o site Politifact [2].Os narcotraficantes têm necessidade, é claro, de ocultar seus lucros ilícitos, mas muitos dos outros super-ricos pretendem simplesmente evitar o pagamento de impostos, para o qual constroem complicadas redes de empresas e investimentos só para deduzir um pouco mais da fatura fiscal que pagam em seu país de origem. Tudo ajuda.
2. ONDE ESTÁ O DINHEIRO? É DIFÍCIL SABER
Offshore, segundo Henry, não é já um lugar físico, embora existam vários lugares, como Singapura e Suíça, que ainda se especializam em proporcionar “residências físicas seguras e fiscalmente interessantes” aos ricos do mundo.Mas nestes tempos que correm, a riqueza offshore é virtual. Henry a descreve como algo nominal, hiperportátil, multijurisdicional, seguidamente lugar temporário de redes de entidades e acordos legais ou quase legais. Uma empresa pode estar situada em uma jurisdição, ser propriedade de um testa de ferro localizado em outro lugar e ser administrada por testas de ferro de um terceiro lugar. “Em última instancia, portanto, o termo offshorese refere a um conjunto de capacidades” e não tanto a um ou vários lugares.Também é importante, afirma o relatório, distinguir entre os“paraísos intermediários” - lugares nos quais pensam a maioria das pessoas quando se fala de paraísos fiscais, como as Ilhas Cayman de Mitt Romney, as Bermudas ou a Suíça - e os “paraísos de destino“, que incluem os EUA, o Reino Unido e inclusive a Alemanha. Esses destinos são desejáveis já que proporcionam “mercados de valores relativamente eficientes e regulados, bancos respaldados por grandes populações de contribuintes, e companhias de seguro. Além de códigos jurídicos desenvolvidos, advogados competentes, poder judicial independente e Estado de direito.”Assim, pois, os mesmos que escapam do pagamento de impostos distribuindo seu dinheiro por diferentes lugares, se aproveitam dos serviços financiados pelos contribuintes para fazê-lo. E nos EUA, alguns estados começaram, desde a década de 1990, a oferecer entidades jurídicas a baixo custo “cujos níveis de confidencialidade, proteção frente aos credores e vantagens fiscais rivalizam com os dos tradicionais paraísos fiscais secretos do mundo.” Adicione a isso a porcentagem cada vez menor dos impostos que os ricos e as empresas estadunidenses pagam e verão que estamos começando a ter um aspecto muito atrativo para aqueles que tratam de camuflar seu dinheiro.
3. GRANDES BANCOS RESGATADOS DIRIGEM ESSE NEGÓCIO
Mas quem facilita esse processo? Alguns nomes familiares saem rapidamente à superfície quando se vasculha os dados: Goldman Sachs, UBS e Credit Suisse são os três primeiros, e o Bank of America, Wells Fargo e JP Morgan Chase estão no Top-10. Segundo afirma o relatório, “agora podemos acrescentar algo a mais a sua lista de distinções: são os atores principais dos refúgios fiscais de todo o mundo e ferramentas chave do injusto sistema tributário global”.No final de 2010, os maiores cinquenta bancos privados administravam cerca de 12,1 trilhões de dólares em “ativos trans fronteiriços” investidos por seus clientes. É mais do que o dobro da cifra de 2005, e representa taxa média de crescimento anual superior a 16%.”Desde bancos a empresas contábeis e advogados corporativos, algumas das maiores empresas do mundo são parte da trama de evasão fiscal global”, escreve no The Guardian a investigadora financeira (e ex-trader de Goldman Sachs) Lydia Prieg. “Essas empresas não são pessoas jurídicas as quais possamos chamar a atenção para que paguem sua parte justa; sua razão de ser consiste em maximizar seus lucros e os de seus clientes.”"Até finais da década de 2000″, afirma Henry, “a sabedoria convencional entre os capitalistas evasores era: ‘O que existe de mais seguro que os bancos suíços, estadunidenses ou britânicos etiquetados como grandes demais para falir? ’” Sem os resgates que acompanharam a crise financeira de 2008 – acrescenta - muitos dos bancos que estão escondendo dinheiro em espécie para os ultrarricos já não existiriam. “Dar por certo o apoio dos governos é precisamente a razão principal pela qual os super-ricos fazem seus negócios com os bancos de maior tamanho.”
(...)
Continua em: http://www.aepet.org.br/site/noticias/pagina/9564/O-imenso-buraco-negro-da-economia-global

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Inscrições Mestrado Geografia UFMS

Divulgando: 
Inscrições até 08 de fevereiro de 2013 para Programa de Pós- Graduação em Geografia-UFMS, Campus de Três Lagoas. Mais informações no link abaixo:
http://www.ppggeo.ufms.br/selecao2013.htm



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Entrevista


Nestor André Kaercher (UFRGS): Fundamental é ter profundo respeito e curiosidade pelos alunos

Professor deve fazer perguntas interessantes ao aluno
Professor deve fazer perguntas interessantes ao aluno


O professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Nestor, André André Kaercher, mantém contato direto, em suas aulas, com futuros professores de geografia. Com licenciatura em geografia, mestrado em educação e doutorado em geografia humana, ele leciona, entre outras, as disciplinas de prática de ensino em geografia voltadas ao ensino fundamental e ao ensino médio. Também atua na área de estágio de docência em geografia, tanto para o ensino fundamental quanto para o ensino médio.
Sua experiência profissional inclui o ensino de geografia para alunos da educação básica, tanto no ensino regular como no supletivo (Educação de Jovens e Adultos) e a participação em cursos nas áreas de extensão e de pós-graduação.
Em entrevista ao Jornal do Professor, Kaercher diz que a paixão pela docência e o respeito e a curiosidade pelos alunos são qualidades fundamentais de um bom professor. Para ele, o mestre deve manter um diálogo interessado com os estudantes, ouvindo o que eles têm a dizer e fazendo perguntas que despertem seu interesse.
Jornal do Professor – Quais as qualidades necessárias a um bom professor de geografia?
Nestor André Kaercher – Creio que, no geral, são as mesmas dos outros professores: curiosidade, interesse pela disciplina, uma boa dose de paixão e idealismo, pois isso te leva a estudar, a buscar melhorias na tua docência, enfim, mantém tua vivacidade na profissão. Fundamental é ter profundo respeito e curiosidade por teus alunos, gostar e querer ouvi-los, fazê-los, de fato, partícipes da tua aula. O diálogo interessado, com boas perguntas norteadoras pode levar a gente a explorar melhor o potencial deles, que sempre é surpreendente. Claro, poderia listar outras coisas, mais técnicas como planejar a aula, trazer materiais diversificados, etc, mas no fundo, se tu não tiveres paixão pela docência, e, por que não, pelos alunos, só o conhecimento técnico não vai te levar muito longe.
JP – Quais os recursos e ferramentas mais importantes para uma boa aula de geografia?
NAK – Quanto mais recursos, melhor. Complementam, facilitam a vida do professor. Mas, se o professor não tiver boa formação e alguma paixão, não adianta só o recurso material. A aula tende a ser burocrática.
JP – Na sua opinião, atlas e mapas impressos ainda são válidos nesses tempos de internet e conteúdos digitais?
NAK – A internet ajuda, mas ainda não está tão disseminada, vai crescer sempre (ainda bem), mas livro, papel, escrita, reflexão séria (não sisuda), isso é fundamental numa escola, e, por que não, nas nossas casas. A internet é meio, não é fim. Com isso quero dizer: sejam bem vindos computadores e outras novidades midiáticas na escola. Claro. Mas se não tivermos bons professores, com boa formação, motivados (e bem tratados, claro), o computador fica subutilizado. Nunca, mesmo na educação a distância, os professores serão secundários. Um bom professor faz muita (e boa) diferença na educação das pessoas.
JP – O senhor acredita que é importante que os professores de geografia participem de cursos de formação continuada, levando em conta, principalmente, as mudanças tecnológicas que estão ocorrendo?
NAK – Acho que a resposta acima já contempla o que se pergunta. Estudar, ler, trocar ideias em fóruns, encontros, cursos sempre é uma oportunidade de aprimorar conhecimento, e, por que não, reencontrar os pares, pegar deles ideias e energias para mantermos viva a chama, a paixão pela docência e pelos discentes.
JP – Os professores de geografia saem bem preparados das instituições de nível superior? Por quê? (Em caso negativo, o que seria necessário para isso)
NAK – A resposta é Sim e Não. Sabemos das muitas lacunas em nossa formação. Poderíamos listar muitos erros que nós, formadores de professores cometemos na universidade, mas sejamos propositivos e otimistas: a universidade é local para percebermos a fragilidade de nossa formação, a necessidade de uma constante aprendizagem, além de nos fornecer pistas e contatos para continuarmos a buscar sanar estas lacunas. A universidade nunca vai te dar tudo (não existe o 'tudo', o bom professor 'já formado'), mas pode te dar pistas para buscares pontos de partida pra seguir em frente. O que seria necessário? Muita coisa, mas também isso é um processo que não finda. Sempre estaremos necessitando reinventar nossa prática, refletir sobre o que se faz, mas, claro está, não basta conhecimento técnico ou equipamentos.
JP – É importante que o professor de geografia leve seus alunos para visitas in loco e incentive pesquisa de campo? De que forma?
NAK – Claro. Tudo que se puder oferecer ao aluno é ponto positivo. Conhecer in loco os locais é fundamental, mas isso também requer uma preparação (e recursos) que, normalmente, os docentes não têm. Mas, como negar a belezura e o poder de imaginação e “perguntação” de uma saída pra fora da escola, quando o professor sabe estimular o olhar e a interpretação da meninada?

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Atualidade


Israel busca reduzir danos em voto na ONU

MARCELO NINIO- DE JERUSALÉM

Exatos 65 anos após a votação nas Nações Unidas que determinou a partilha da Palestina e levou à fundação de Israel, os palestinos vão hoje à organização em busca de reconhecimento que também conduza à independência.
Os palestinos pedirão à Assembleia-Geral da ONU que eleve o status de sua representação atual, de entidade observadora para Estado observador não membro.
Fortemente contrário à iniciativa palestina, mas ciente de que ela deve ser aprovada com grande maioria, o governo de Israel tenta "reduzir os danos", disse à Folha o porta-voz do Ministério do Exterior, Yigal Palmor.
Ele confirmou que Israel articula com os EUA a adição de elementos no texto a ser votado na ONU para evitar problemas futuros.
Entre eles, o compromisso dos palestinos de que não recorrerão ao TPI (Tribunal Penal Internacional), sediado em Haia, contra Israel.
Além disso, o governo israelense quer que a resolução deixe claro que o conflito só poderá ser resolvido por meio de negociações.
O novo status não significa o reconhecimento do Estado palestino.
Pelo direito internacional, o reconhecimento de Estados não se dá na ONU, mas por outros países. Ainda assim, é uma vitória da diplomacia palestina.
Desde a entrada na ONU, em 1974, os palestinos são representados pela OLP (Organização para Libertação da Palestina), que tinha o status de entidade observadora. Agora, serão elevados a Estado observador.
É menos do que foi tentado no ano passado, quando a proposta de que a Palestina fosse aceita como membro pleno da ONU foi vetada no Conselho de Segurança.
O status de Estado observador, semelhante ao do Vaticano, não garante direito a voto.
Mas a liderança palestina conta com ele para poder se filiar a agências multilaterais, ampliar a ação diplomática e fortalecer sua posição internacional diante de Israel.
"A votação na ONU dará início a um processo histórico de redenção e na Palestina", disse em Ramallah Hannan Ashrawi, membro do comitê executivo da OLP.
Os palestinos dizem que recorreram à ONU porque Israel continua ampliando os assentamentos em território ocupado e não está interessado em negociar uma solução. Israel os acusa de violar os acordos assinados com uma ação unilateral.
Editoria de Arte/Folhapress
PLACAR
O suspense nas últimas horas, além do texto da resolução, foi saber quantos países acompanharão EUA no minúsculo grupo que vota não.
A expectativa é que a resolução seja aprovada com entre 150 e 170 votos dos 193 da Assembleia-Geral.
Na União Europeia, a França saiu na frente ao declarar seu voto favorável, mas não se chegou a um consenso no bloco. Ontem, Espanha, Portugal e Dinamarca seguiram o exemplo francês.
A Alemanha, maior país do bloco, votará contra. A grande dúvida é o Reino Unido, que balançou entre o sim e o não e ontem declarou um apoio sob condições.
Para o presidente palestino, Mahmoud Abbas, a iniciativa na ONU é um sopro de oxigênio, depois que seu rival, o grupo islâmico Hamas, saiu fortalecido politicamente da miniguerra travada com Israel em Gaza.
Os islamitas, que não reconhecem Israel, estão divididos. O plano aprovado em 29 de novembro de 1947 dividiu a Palestina entre um Estado árabe e um judeu.
Os líderes judeus aceitaram e fundaram Israel. Mas a liderança árabe rejeitou o plano e declarou guerra, reivindicando toda a Palestina.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1192924-israel-busca-reduzir-danos-em-voto-na-onu.shtml

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Educação étnico-racial

Disciplina sobre educação étnico-racial ainda não está nos currículos

Lei completa 10 anos em janeiro, mas professores ainda não são formados para trabalhar com tema que deveria fazer parte da rotina escolar desde 2003

Para cumprir a lei 10.639, de janeiro de 2003, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas brasileiras, os professores reclamam que falta formação. E, sem conhecimento, não se sentem preparados para discutir o tema com os alunos, seja do ensino fundamental ou do ensino médio, onde a lei determina que o assunto seja abordado.
Alan Sampaio / iG Brasília
No Centro de Ensino Médio 1 do Gama, professores de História produzem materiais e seminários para disseminar conhecimento entre os colegas
De acordo com as diretrizes curriculares para a educação étnico-racial, elaboradas pelo Conselho Nacional de Educação após a aprovação da lei, as universidades já deveriam incluir em diferentes disciplinas, para todos os cursos de graduação, conteúdos ligados à educação das relações étnico-raciais. No caso dos cursos que formam professores – pedagogia e licenciaturas – especialmente.
A realidade, porém, é bastante diversa nas universidades. Elas não cumprem ainda, integralmente, as diretrizes definidas pelo CNE. O técnico em gestão educacional Antonio Gomes da Costa Neto fez um levantamento em todas as universidades federais para verificar se havia professores contratados para trabalhar o tema nos cursos de graduação e se a disciplina era oferecida.
A conclusão de Antonio é que a lei só é cumprida parcialmente. “Quando existe a disciplina, na maioria das instituições, ela tem caráter facultativo. Quando é obrigatória, é só para os cursos de pedagogia”, afirma. Com os resultados do levantamento, ele protocolou representação junto ao Ministério da Educação e o Ministério Público Federal para pedir “providências”.
Além de pedir a obrigatoriedade da disciplina nos cursos de graduação – sob pena de suspensão de abertura de novos cursos nas universidades que descumprirem a determinação da lei –, a representação protocolada por Gomes e seu colegas autores do documento exige a inclusão do tema como critério para a avaliação dos cursos feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Autonomia
O Ministério da Educação acredita que as universidades têm papel fundamental para a aplicação da lei. Em nota enviada ao iG , a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do MEC disse que as universidades precisam “cumprir seu papel e efetivar as ações indicadas no Plano Nacional de Implementação Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana”.
Antonio Gomes acredita que as instituições usam a autonomia administrativa para não cumprir a lei. “O MEC pode e deve interferir”, diz. “As universidades publicam estudos, criticando os sistemas de ensino por não cumprirem a lei, mas elas também não o fazem. A omissão tem sido pior”, critica.
De acordo com o levantamento de Gomes, a Universidade Federal de Ouro Preto é a instituição que parece melhor abordar o tema em seus cursos de graduação. Várias disciplinas dos departamentos de História, Educação e Letras já trabalham o tema. As disciplinas de que tratam o assunto são obrigatórias para os cursos de Ciências Biológicas, Filosofia e História. Nos demais cursos de licenciatura, são optativas. Já a disciplina mais específica “Educação das Relações Étnico-Raciais” faz parte de uma matriz comum dos cursos que formam professores.
Algumas universidades, como as federais do Acre e do Amazonas, por exemplo, não oferecem a disciplina a nenhum curso, segundo Gomes.