quinta-feira, 14 de março de 2013

Atualidade


Arte/UOL

IDH do Brasil avança, mas fica abaixo da média da América Latina


Apesar de apresentar melhora no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) nas últimas duas décadas, o Brasil ainda tem uma taxa menor que a média dos países da América Latina e Caribe. Segundo o relatório do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), divulgado nesta quinta-feira (14), com base em números referentes ao ano de 2012, o Brasil teve um aumento de 24% do seu IDH desde 1990, proporção superior à de outros países da América Latina. No mesmo período, a Argentina aumentou seu índice em 16%; o Chile, em 17%, e o México em 18%. De acordo os dados, o país foi o 14º do mundo que mais reduziu o deficit de IDH em 22 anos, à frente de países mais desenvolvidos.
O IDH é a referência mundial para avaliar o desenvolvimento humano a longo prazo. O índice é calculado a partir de três variáveis: vida longa e saudável (medida pelo indicador expectativa de vida), acesso ao conhecimento (medido pelos índices média de anos escolaridade em adultos e anos esperados de estudo) e e um padrão de vida decente (calculado a partir da renda nacional per capita).
Segundo o relatório, o IDH brasileiro é de 0,73 em uma escala que vai de 0 a 1.  Quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho do país. O Brasil ocupa a 85ª posição em um ranking composto por 187 países e territórios -- mesma posição do ranking de 2011, considerando o recálculo feito pelo Pnud. Com esse valor, o Brasil está no grupo de "alto desenvolvimento humano", mas ainda fica atrás da média da América Latina: 0,741. Apesar de a ONU reconhecer mais países membros, o ranking só considera 187 porque nações como a Coreia do Norte e Somália não disponibilizam dados para coleta.
Considerando apenas o índice de 2012, o Brasil tem desempenho pior que países como Chile (40º colocado, o melhor entre os latino-americanos) e Argentina (45º). O país está empatado com a Jamaica na 85ª colocação. Porém, de acordo com o Pnud, "é enganoso comparar valores e classificações com os de relatórios publicados anteriormente, porque os dados subjacentes e os métodos mudaram".
Quando comparado a países dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil aparece com o segundo melhor desempenho do grupo, atrás apenas da Rússia. A média do Brics é de 0,655. A Índia apresenta o menor índice do grupo, 0,554, enquanto a Rússia tem 0,788.Para ter uma ideia da distância entre o Brasil e a Noruega, primeira colocada no ranking pelo quarto ano consecutivo, o valor do IDH que o Brasil atingiu agora (0,73) é inferior ao apresentado pelos noruegueses em 1980 (0,804).
De acordo com o Pnud, a expectativa de vida dos brasileiros é de 73,8 anos; os anos esperado de estudo, 14,2; a média de escolaridade entre os adultos era de 7,2 anos; e a renda nacional per capita era de US$ 10.152.
Elogios  Os avanços registrados pelo Brasil na área social levaram o Pnud a fazer uma série de elogios ao país, em especial às políticas de combate à fome e para a erradicação da miséria. 
Crescer e distribuir renda -- 
Divergência de dados - O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) questiona os dados usados pelo Pnud na composição do IDH. Em nota, o órgão afirma que "os dados utilizados no cálculo são defasados para o Brasil e diferenciados entre os países". Na coletiva de imprensa, o Pnud negou que o órgão diferencie os países e afirmou que adota o critério de "isonomia". "Além de usarem dados antigos, é importante ressaltar que há um problema de classificação", afirmou Luiz Cláudio Costa, presidente do Inep. "Em outros países, as crianças com cinco anos na escola estão consideradas. Como no Brasil usamos a classificação de pré-escola, que é a classe de alfabetização, há 1,8 milhão de crianças matriculadas que estão fora do índice."

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, o representante residente do Pnud no Brasil, Jorge Chediek, afirmou que o Brasil é mencionado várias vezes no relatório por ser "um dos novos atores globais". " [O Brasil] é reconhecido como um país que tem mudado o seu padrão histórico em pouco tempo", afirmou.
Entre os avanços, o documento referente ao Brasil destaca que, entre 1980 e 2012, a expectativa de vida ao nascer aumentou 11,3 anos (chegando a 73,8 anos) e a média de anos na escola aumentou em 4,6 anos (alcançando 14,2 anos).
Outro ponto ressaltado foi a rapidez com que país reduziu a miséria. "A primeira das Metas de Desenvolvimento do Milênio, de reduzir pela metade a proporção de pessoas vivendo com menos de US$ 1,25 (R$ 2,50) por dia em relação a 1990, realizou-se três anos antes da data prevista. Isto se deve principalmente ao sucesso de alguns países mais populosos para erradicar a extrema pobreza: Brasil, China e Índia têm tudo para reduzir drasticamente a proporção de sua população que é de baixa renda. No Brasil, caiu de 17,2% da população em 1990 para 6,1% em 2009", diz o texto.
Para a ONU, o início da transformação brasileira para um "Estado desenvolvimentista" começou em 1994, "quando o governo implementou reformas macroeconômicas para controlar hiperinflação, com o Plano Real, e concluiu a liberalização do comércio, que começou em 1988, com a redução de tarifas e a fim de restrições comerciais".
Recentemente, a data de início dos programas de combate à pobreza tem sido alvo de disputa entre PT e PSDB. Enquanto os tucanos garantem que as políticas começaram com o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), os petistas clamam para si a paternidade dos programas sociais a partir do governo Lula (2003-2010).
O Pnud cita nominalmente o Bolsa Escola e o Bolsa Família. "Em 2009, o Bolsa Família cobria mais de 12 milhões de lares no país, 97,3% de sua população-alvo."
Ao mesmo tempo em que aponta o avanço brasileiro nos últimos anos, o relatório deixa claro que o Brasil ainda possui um fosso social entre ricos e pobres. "Quando o valor tem descontado o fator desigualdade, o IDH cai para 0,531, uma perda de 27,2%, devido à desigualdade na distribuição dos índices de dimensão", apontou o documento.
O relatório ainda faz uma análise do desenvolvimento mundial associado à redução da miséria, citando mais uma vez o caso brasileiro. "O crescimento tem sido frequentemente muito mais eficaz na redução da pobreza em países com baixa desigualdade de renda do que em países com alta desigualdade. O crescimento é também menos eficaz na redução da pobreza quando a distribuição de renda piora ao longo mais tempo. As exceções parecem ser a China e o Brasil. No início de 2000, o Brasil utilizou políticas voltadas para a redução da pobreza. Apesar da alta desigualdade na distribuição de renda, o país se tornou mais igualitário ao longo deste período."
O relatório ainda cita melhorias na educação brasileira. Segundo o Pnud, a transformação começou com a "equalização de financiamento entre regiões, Estados e municípios", com a criação, em 1996, do Fundo Nacional de Desenvolvimento para o Ensino Fundamental, quando passou a ser estipulado um gasto mínimo nacional por aluno no ensino fundamental. "Isso aumentou os recursos para alunos do ensino primário no Nordeste, Norte e Centro-Oeste os Estados. (...) Como resultado desse investimento, as notas de matemática dos brasileiros no Programa de Avaliação Internacional de Estudantes subiu 52 pontos entre 2000 e 2009, o terceiro maior salto da história."
O Brasil também se tornou referência regional em tecnologia agrícola. O país concentra 41% das despesas com pesquisa agrícola na América Latina – segundo dados de 2006 –, o que tem feito crescer quase quatro vezes a eficiência agrícola por trabalhador.
O relatório vê também uma "ascensão do Sul", com desenvolvimento humano mais rápido de países em crescimento, como Brasil, Índia, África do Sul e China.
O Inep afirma também que a expectativa de escolaridade apontada pelo relatório não considera a mudança no currículo escolar do país, que passou de 8 anos de ensino fundamental para 9 anos. Assim, segundo o órgão, ficaram fora da conta 2,8 milhões de matrículas.
O órgão deve ter discussões técnicas com o Pnud para que sejam mudados os critérios em relação às pesquisas educacionais brasileiras.
O Pnud ressalta que os dados relativos à educação são fornecidos pela Unesco, órgão da ONU que trata do assunto.


sexta-feira, 1 de março de 2013

JORNAL DE GEOGRAFIA

Categorias geográficas na elaboração de um jornal escolar

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-2/plano-de-aula-categorias-geograficas-elaboracao-jornal-escolar-732854.shtml 

Acompanhe o passo a passo da criação de um jornal escolar para estudar as noções de lugar e de paisagem local com a turma 

alessandra-souza
 Objetivos
- Desenvolver a leitura crítica de notícias e do cotidiano
- Criar vínculos identitários com a escola e os arredores
- Expressar seus conhecimentos e opiniões por meio de textos jornalísticos
- Escrever textos pertencentes a gêneros jornalísticos a partir da sua percepção sobre o assunto, utilizando o gênero artigo para opinar nas informações
Conteúdos : 
- Categorias geográficas: lugar, paisagem, território, espaço e região
- Características dos textos jornalísticos
Anos- 6° ao 9° ano
Tempo estimado- Pode variar de acordo com a periodicidade decidida para o jornal: mensal, bimestral ou semestral. Mínimo de oito aulas para cada edição
 Material necessário-  Jornais de circulação local, regional e nacional para consulta e referência dos alunos; câmeras fotográficas, gravadores de áudio, lápis, caneta e blocos de anotação para a captação do material utilizado nas reportagens; computadores com acesso a internet
Desenvolvimento- Por tratar de acontecimentos da escola, é importante apresentar o projeto à equipe gestora que, em alguns casos, precisará pedir autorização à Secretaria de Educação ou à Diretoria de Ensino.

1ª etapa - Para que os alunos possam escrever textos jornalísticos, é importante que eles tenham familiaridade com notícias e artigos, gêneros típicos do jornalismo. Por isso, esta etapa deve ser repetida várias vezes durante o projeto.
Colete textos desses gêneros que se relacionem com o conteúdo trabalhado nas aulas de geografia e apresente-as à turma. Explique, antes da leitura, que o objetivo do trabalho com esses textos é perceber a importância daquela notícia no cotidiano do aluno e da comunidade, além da intencionalidade e o posicionamento do autor. Depois de fazer a leitura com a classe, conduza uma discussão, destacando esses pontos.
Peça também que eles listem os conceitos de geografia presentes no fato noticiado e façam paralelos com a realidade local. Por exemplo: ao tratar dos conflitos no Oriente Médio, relembre a categoria geográfica território e questione os alunos sobre quais situações da região onde moram também estão relacionadas a ela.
Para a aula seguinte, peça que a turma se divida em grupos e planeje apresentações desenvolvendo com maior profundidade a relação entre o tema da notícia e assuntos dos arredores da escola. Incentive-os a fazer pesquisas em livros didáticos, internet e notícias.
Ao final das apresentações, abra para debates, permitindo que a turma discuta a adequação ou não do assunto escolhido.
Como conclusão desta etapa, peça que eles escrevam textos sobre o bairro e a escola, relacionando estes lugares com seu cotidiano e utilizando seus conhecimentos geográficos e opiniões sobre o fato. O objetivo é a apropriação dos gêneros notícia e artigo, típicos do jornalismo.
2ª etapa- Reúna a turma para discutir as características do jornal: nome, logotipo oficial e as seções, que devem tratar de assuntos específicos como educação, cotidiano, cultura, esportes, etc. Para definir essas questões, os alunos podem promover enquetes e entrevistas envolvendo funcionários, professores e outras turmas.
Determine, em parceria com a classe, o cronograma de atividades. Defina prazos para as seguintes atividades:
- Definição das reportagens que serão feitas;
- Data final para a coleta de todas as informações;
- Revisão da primeira versão dos textos;
- Entrega das reportagens revisadas;
- Lançamento do jornal;

3ª etapa - Para a produção dos textos, cada seção do jornal deve ser responsabilidade de um pequeno grupo de alunos, cuja primeira tarefa será selecionar as pautas (temas tratados no jornal). Norteie esse trabalho propondo questões que os ajudem a escolher as mais importantes a partir de seu próprio olhar e suas perspectivas. Instigue-os a refletir sobre qual será a intencionalidade por trás de cada redação.
Para guiá-los, exponha as definições das categorias geográficas paisagem (a porção do espaço que está ao alcance da visão) e lugar (o espaço somado aos vínculos pessoais e afetivos das pessoas que nele convivem) e questione: o jornal versará sobre qual das duas?

Ajude-os a refletir sobre as diferenças entre trabalhar com uma ou outra e destaque a importância das percepções individuais, que definem lugar como a categoria ao redor da qual o projeto se constrói. Peça que eles listem todas as informações que pretendem colher para a matéria e oriente-os nos detalhes necessários para consegui-las (roteiros de entrevista especificando os entrevistados e as perguntas, fotos que devem ser tiradas, quantidade de perguntas de uma enquete, e assim por diante). Dê um intervalo de algumas aulas para que eles consigam captá-las.
4ª etapa: Os textos podem ser escritos individualmente ou em grupo. Antes que eles comecem a redigi-los relembre algumas características importantes do gênero artigo:
- no primeiro parágrafo, deve ser apresentada uma contextualização com as informações mais importantes sobre o tema que irão tratar;
- quando houver conflito, devem-se mostrar diversas versões;
- somente as falas mais impactantes dos entrevistados devem ser colocadas entre aspas no texto;
- o autor deve expor claramente suas opiniões;

Ressalte a necessidade de que eles deixem registradas suas percepções, já que o jornal tem como categoria geográfica principal o lugar e não apenas a paisagem.
Leia cada uma das matérias com seus autores, apontando melhorias que podem ser realizadas, como correções gramaticais ou a inclusão de novas informações. Depois, peça a reescrita do material.

Com a versão final dos textos em mãos, avalie a quantidade de material: pense no total de páginas que o jornal possui e onde cada uma das redações pode ser encaixada. Se não houver espaço para todas, discuta com a turma quais assuntos devem ser priorizados. Montem o jornal, página por página, utilizando editores de texto como o Microsoft Word ou o BrOffice Writer.
 Produto final- Imprima algumas cópias do jornal e monte murais para expor nos locais de maior circulação como o pátio e os corredores. Cheque se as impressões estão legíveis, com letras e imagens grandes o suficiente para chamar a atenção dos leitores. Guarde algumas cópias como registro histórico do colégio.
Tanto os alunos quanto o restante da comunidade devem se reconhecer no jornal: como autores, fontes ou participantes dos fatos noticiados. Caso outros professores se interessem pelo projeto, abra espaço para que eles publiquem produções de suas aulas na forma de Seções Especiais.
Avaliação -Durante todo o processo, observe:
- o envolvimento dos alunos no projeto;
- o amadurecimento nas estratégias de coleta de informação;
- o aumento do posicionamento crítico dos alunos na leitura de jornais e de fatos do cotidiano, percebendo a intencionalidade e o posicionamento do autor;
- a criação de vínculos entre o aluno e a escola.

Dê atenção especial para a capacidade de exprimir, por meio da escrita, suas próprias conclusões sobre os temas tratados em suas produções.
Com o jornal pronto, reúna os alunos para a avaliação em grupo daquela edição. Peça que escolham suas matérias favoritas e expliquem o porquê. Também os encoraje-os a mostrar pontos em que ele possa ser melhorado.
Peça que cada aluno faça uma autoavaliação, considerando seu comprometimento e o trabalho feito por ele durante o projeto.
Quer saber mais?
Bibliografia
CASTELLS, Manuel. A Questão Urbana. 1ª Reimpressão com posfácio (1975). São Paulo: Paz e Terra, 2000.
HAESBAERT, Rogério. O Mito da Desterritorialização. 3ª edição. Rio de Janeiro: BERTRAND BRASIL, 2007.
MORAES, Antônio Carlos Robert de. Geografia: Pequena História Crítica. 20ª edição. São Paulo: AnnaBlume, 2005.
SANTOS, Milton. Pensando o Espaço do Homem. 5ª edição. São Paulo: EDUSP, 2004.
SANTOS, Milton. Da Totalidade ao Lugar. 6ª edição. São Paulo: EDUSP, 2004.
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço. 4ªEdição e 4ª reimpressão. São Paulo: EDUSP, 2008.

Plano de aula-Tempo e Clima

Observação de nuvens 
Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-2/observacao-nuvens-678361.shtml
Nesta sequência didática, você vai ver como introduzir noções de tempo e clima e relacionar questões ambientais ao clima, tomando como base a observação das nuvens em sua cidade.
Objetivos
- Observar mudanças na atmosfera (tempo meteorológico).
- Registrar e perceber algumas variáveis do tempo e do clima.
- Trabalhar com dados, gráficos e mapas meteorológicos.
- Identificar as relações entre tempo e clima.
Conteúdos :  Tempo e clima.   Observação do tempo, registro e análise de dados.   Imagem de satélite e a leitura meteorológica do tempo.
Anos : 6º e 7º anos.
Tempo estimado : 8 aulas.
Material necessário : Imagens da Terra e da atmosfera, Atlas Visuais Terra (Ed. Ática), Novo Atlas Geográfico do Estudante (Ed. FTD), papel sulfite, pranchetas e lápis coloridos e pretos para todos ou para cada dois alunos.
Desenvolvimento
1ª etapa
Apresente para os alunos imagens de jornal ou internet em A3 sobre o tempo em diferentes localidades. Escolhemos São Paulo e Nova York. Solicite que os alunos observem as imagens e comentem o que elas mostram. Comente que nestas imagens vemos alguns extremos que ocorrem no comportamento do tempo nestas cidades. Na região metropolitana de São Paulo já ocorreram chuvas de 50 mm num período de 2 horas durante o mês de janeiro, que é o mês mais chuvoso do verão.Para se ter uma ideia do que isto significa, neste mês costuma chover 238 mm ao longo de todo o mês. Poucos meses após o evento extremo em São Paulo, Nova York sofria com uma nevasca, outro fenômeno que ocorre no inverno do hemisfério norte, também na mesma época. A nevasca é uma precipitação intensa, ou seja um extremo climático. Camadas de gelo de quase um metro de altura atingiram casas e estradas, causando vítimas e transtornos urbanos. Estes dois exemplos mostram como o comportamento do tempo pode apresentar escalas extremas ou normais, interferindo muito em nossas vidas. Após a observação das imagens e de sua leitura coletiva, organize a turma em grupos e coloque a seguinte questão: Já observamos eventos extremos em nossa cidade? Existem diferença entre o tempo e o clima? Estimule os alunos a expressarem as noções que possuem destes dois conceitos. Convide os alunos para observar as variações no tempo na cidade.
2ª etapa
Com base nas respostas, organize a observação do tempo empírico. Vamos utilizar somente a percepção sensorial para observá-lo. Explique que muitas pessoas aprenderam a ler o tempo, utilizando este tipo de observação. Organize a sala em grupos e apresente neste momento o tema de estudo desta sequência. Organize na lousa um texto coletivo sobre a noção de tempo e clima que os alunos possuem. Solicite que façam uma lista das variáveis que controlam o tempo e o clima. Anote na lousa todas as ideias que os alunos têm sobre estes dois conceitos.
3ª etapa
Indague os alunos sobre o céu da cidade, por meio de questões, tais como: Como é o céu de nossa cidade? Incentive para que falem das cores, das sensações de umidade, de calor, etc. Organize a turma e saia da sala de aula para um lugar externo para observar o céu. Procure um lugar onde o céu possa ser amplamente visto e que permita aos alunos se sentarem no chão para observar e pensar sobre o que estão vendo. Converse sobre o que possível ver e sentir: cores, formas, nuvens, ventos, calor, umidade, etc. Em seguida, peça para que os alunos sentem no chão num lugar seguro e com papel sulfite sobre uma prancheta e lápis colorido desenhem o céu. Durante o desenho converse sobre o céu como um indicador das condições do tempo: ar quente, úmido, seco, luminosidade, nebulosidade, etc. O que o céu que observamos tem a ver com o tempo? Exponha os desenhos na sala de aula e a partir deles organize uma aula expositiva sobre a atmosfera. Utilize imagens dos Atlas Visuais Terra (Ed. Ática). Retome os desenhos sobre o céu de sua cidade e discuta as mudanças que puderam ser observadas durante o período em que estiveram desenhando: Qual foi a sensação de calor, de umidade, como estavam as nuvens no céu? Elas mudaram de formato de localização? Aproveite para explicar nesse momento com se formam as nuvens a partir da evaporação.
4ª etapa
Distribua para os grupos uma imagem da Terra e da atmosfera e peça que cada grupo identifique as cores e o que estão vendo na imagem. Lembre que o céu que vemos a partir da Terra pode ser visto do espaço pelos satélites e que esta imagem é similar a que é vista do espaço. Esta imagem foi obtida de uma nave espacial que fotografou a Terra do espaço. Chame a atenção para as cores e o que elas significam.
5ª etapa
Reúna os alunos em grupos e distribua notícias de jornal sobre episódios do tempo ocorridos no Brasil e no mundo (veja Anexo 2 - textos 1 e 2 anexo). Discuta as duas situações e tire dúvidas sobre os conteúdos dos textos. Faça uma síntese comparando o que pode ter ocorrido numa situação e na outra. Peça que imaginem como seria o céu desse dia nestas localidades e desenhem em papel A4 uma imagem que contenha alguns dos parâmetros do tempo das situações relatadas no texto (utilize lápis preto e colorido). Antes de iniciar o desenho, faça na lousa uma relação dos componentes do tempo meteorológico e do tempo que devem estar representados nos desenhos, tais como ventos, nuvens, chuva, temperatura etc. Converse com os alunos ao elaborar a lista destes componentes.
6ª etapa
Exponha os desenhos para que todos observem as produções dos colegas. Organize a turma em grupos para a realização da observação do tempo e sua previsão no cotidiano de sua cidade. Apresente um modelo de ficha de previsão do tempo (disponível em jornais ou no site, onde é possível pesquisar a previsão para sua cidade). Discuta os símbolos e dados nela presentes. Divida a turma em duplas e disponibilize uma ficha semelhante para coleta de dados empíricos. Oriente os alunos quanto a forma de registro. Eles devem observar o dia ao ar livre no período da manhã, tarde e noite durante uma semana. Ao mesmo tempo que coletam e registram os dados na ficha, oriente para que assistam na TV a previsão do tempo num jornal noturno para sua região durante uma semana, utilizando uma ficha de registro semelhante aquela dos dados empíricos. Todos os dias, os alunos devem comparar sua ficha de observação sensível com a previsão da TV. Quando coincidir devem marcar na coluna correspondente um C quando não coincidir devem marcar E. Após o registro de todos os dados, analise com seus alunos como foi a previsão e a observação sensível. Houve acertos? Houve erros? Discuta com eles o papel dos dados na previsão do tempo. Se for possível leve-os a um local em sua cidade onde exista uma estação micro meteorológica para que conheçam os equipamentos utilizados no registro de dados.
7ª etapa
Retome a discussão sobre tempo e clima, discutindo que o clima é o resultado de estudos feitos a partir de séries longas de dados, geralmente 30 anos, e que o tempo é o estado diário da atmosfera que percebemos em nossas atividades. Prepare uma aula sobre cada um dos componentes do clima explicando a sua participação na formação destes estados momentâneos e duradouros da atmosfera. Selecione alguns trechos do livro didático para leitura em casa. A partir deste momento, amplie a visão sobre o clima. Organize os alunos em duplas e solicite uma pesquisa de informação sobre os tipos de clima do Brasil. Consulte o Atlas e distribua os tipos de clima entre os grupos e oriente os alunos para que tragam informações sobre:
- Como são as temperaturas neste tipo clima?
- Como são as chuvas?
- Qual é o tipo de cobertura vegetal que predomina nestas condições?
- Pelo tipo de clima é possível identificar alguns tipos de tempo possíveis nestas regiões?
- Quais problemas as pessoas que vivem em cidades enfrentam nestes climas?
- Quais problemas as pessoas que vivem no campo enfrentam nestes climas?
Cada grupo deve apresentar oralmente os resultados de suas pesquisas.

Avaliação
Ao final do estudo os alunos devem ser capazes de identificar algumas variáveis do tempo e clima, ler dados sobre clima e mapas meteorológicos e Identificar relações entre tempo e clima. Para encerrar a sequência, peça que os alunos respondam em seu caderno as perguntas apresentadas no inicio da seqüência:
- Qual a relação entre as condições do tempo e clima?
- Qual a importância do clima para o meio ambiente? 
Cheia do rio Uruguai provoca enchentes no RS
Colaboração da Folha Online, Janeiro, 2007

As fortes chuvas que atingiram o noroeste do Rio Grande do Sul provocaram elevação de 9,48 metros no rio Uruguai na noite de domingo (20), causando enchentes nas cidades da região.
No interior de São Borja, estradas tiveram que ser interditadas. Como as comportas das barragens de Itá e Machadinho foram abertas no norte do Estado, cidades ao sul de São Borja, como Itaqui e Uruguaiana, também poderão sentir os efeitos da cheia, de acordo com informações da MetSul Meteorologia.
Segundo previsão do instituto, as fortes precipitações deslocam-se em direção aos Estados de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, onde são esperadas chuvas fortes na terça-feira (22).
Texto 2 - Seca na Amazônia em 2005 - CPTEC/INPE e INMET - 24/10/05
O CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) juntamente com o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) traz de forma sucinta ao público informações esclarecedoras sobre a problemática da seca na Amazônia durante o ano de 2005.

A Seca de 2005: 
A atual seca que está afetando boa parte da região Amazônica, especialmente o setor sudoeste do Amazonas e Estado do Acre, caracteriza-se por possuir o menor índice pluviométrico nos últimos 40 anos, ultrapassando períodos como os de 1925-1926, 1968-1969 e 1997-1998, até então considerados os mais intensos.
Ao se analisar os dados de precipitação no setor sul da Amazônia, verificou-se que durante a estação chuvosa de 2005, que na realidade estendeu-se de dezembro de 2004 a março de 2005, as chuvas apresentaram-se com valores de até 350 mm menores que a média histórica. Isto contribuiu para que os níveis dos rios desta região estivessem com valores bem abaixo da média no final da estação chuvosa de verão e no início do período de estiagem, que ocorre de maio a setembro. Em 2005, notou-se uma estiagem mais severa durante todos os meses do ano. Na análise dos níveis médios do Rio Negro em Manaus, desde 1903 até setembro 2005, observa-se que valores muito baixos aconteceram também nos anos de 1925 -26 (ano de El Nino), e em 1963-64. Nos meses de verão de 2005 os níveis do Rio Negro foram em média de 1.5 a 2 metros acima do normal, e a partir de agosto os valores chegaram até 4 metros abaixo do normal.

Regime de chuva na região: 
Climatologicamente, a região Amazônica possui precipitação média anual de aproximadamente 2.200 mm por ano, embora tenham regiões (na fronteira entre Brasil, Colômbia e Venezuela) e próxima a Foz do Rio Amazonas em que o total anual pode ultrapassar 3.500 mm por ano.
O setor sul da região, que compreende a região afetada pela seca, tem período de chuvas compreendido entre novembro e março, sendo que o período de seca ocorre entre os meses de maio e setembro. Os meses de abril e outubro são meses de transição entre um regime e outro.
A distribuição de chuva no trimestre Dezembro-Janeiro-Fevereiro (DJF) apresenta uma região de precipitação alta (superior a 900 mm) situada na parte oeste e sul da Amazônia. O período de Marco-Abril-Maio (MAM) representa a estação chuvosa na região central da Amazonia próxima ao equador, já no trimestre Junho-Julho-Agosto (JJA), acontece o período de estiagem na Amazônia e o centro de máxima precipitação desloca-se para o norte, situando-se sobre Roraima e o Norte da América do Sul. Neste período de estiagem em JJA, a região Amazônica, principalmente na parte central, está sob o domínio do ramo descendente da Célula de Hadley (célula de circulação atmosférica com ventos ascendentes no Atlântico Tropical Norte e descendentes na região Amazônica), induzindo um período seco bem característico que perdura até aproximadamente os meses de setembro e outubro no sul da Amazônia e um mês mais tarde na Amazonia central.

Quais são as possíveis causas da seca de 2005? 
O fenômeno de deficiência de chuvas na região do Sul foi observado também em 2004, onde as vazões dos rios e as chuvas foram menores que o normal, mas sem atingir os valores extremamente baixos observados em 2005.
Um dos possíveis fatores responsáveis por esta seca intensa de 2005 estaria provavelmente relacionado ao comportamento médio da temperatura da superfície do mar (TSM) nos últimos meses na bacia do Atlântico Tropical Norte, que tem se apresentado mais quente que o normal nos últimos 12 meses. Como é característico desta época do ano, o movimento ascendente do ar que normalmente ocorre no Atlântico Tropical Norte, associado à célula de Hadley, está mais intenso este ano e a zona de convergência intertropical ainda está no Hemisfério Norte. Conseqüentemente, esta intensificação da circulação atmosférica faz com que os movimentos descendentes especialmente sobre o sudoeste da Amazônia sejam mais intensos do que a média, o que dificulta a formação de nuvens e, portanto, de chuva na região. Adicionalmente, nos últimos dois meses a seca tem se agravado devido ao anticiclone do Atlântico Sul que se tornou mais intenso, estendendo-se até o continente e gerando uma região de estabilidade atmosférica que não favorece a formação de chuva no Sul da Amazônia.
Há especulações de que o prolongado período de estiagem nestas regiões mais afetadas pode estar ocasionando um efeito local que contribuiu mais ainda para a diminuição das chuvas. Este efeito seria uma diminuição da reciclagem de vapor d'água pela vegetação devido à própria estiagem, implicando um feedback positivo reduzindo possivelmente as chuvas locais. Além disso, a queima de biomassa que produz fumaça pode alterar a física da formação de chuva no sul da Amazônia, e possivelmente adiar o inicio da estação chuvosa. Não se tem evidências de que esta seca de 2005 seja um indicador de mudanças climáticas na região, associadas ao desmatamento ou aquecimento global. A Seca de 2005 parece ser parte de uma variabilidade natural de clima, onde anos secos e úmidos alternam-se na escala interanual.

A previsão:
A previsão sazonal de clima (tendência média do estado da atmosfera), em caráter experimental, para os próximos 3 meses (Novembro-Dezembro/2005 e Janeiro/2006) indica:
§ Para o sudoeste do Estado do Amazonas e Acre: tendência de continuação de chuvas abaixo da média climatológica (previsão com baixa confiabilidade),
§ Para o centro-norte dos Estados de Roraima, do Amapá e no noroeste do Pará: chuva variando de normal a ligeiramente acima da média climatológica (previsão com confiabilidade média), e
§ Para o restante da Região Norte: tendência de chuvas próximas da média climatológica (previsão com confiabilidade média).
Em relação a previsão de temperatura para o mesmo período, a previsão indica tendência de temperatura de normal a acima da média histórica em toda a Região.
O CPTEC/INPE e o INMET continuarão monitorando o quadro de estiagem na Amazônia e voltará a divulgar boletins oportunamente. 
                     CPTEC/INPE e INMET

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Um pouco da economia atual

O Brasil fora das cadeias produtivas globais

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-brasil-fora-das-cadeias-produtivas-globais,1001501,0.htm

Rubens Barbosa *
Nem o governo nem o setor privado parecem perceber as transformações que ocorrem no comércio internacional, com profundas repercussões no Brasil. E os novos desafios são, em geral, minimizados pelos formuladores de decisão nos ministérios da área econômica e no Itamaraty.


O governo declara ter uma "política comercial cautelosa" por não querer abrir mão de seu projeto nacional de desenvolvimento e por julgar que, tendo uma indústria diversificada, o Brasil não se deve engajar nos acordos de cadeias produtivas, que levariam a alguma especialização no contexto produtivo.

O processo de globalização vem sofrendo modificações aceleradas, com a tendência de concentração da produção de manufaturas em poucos países e a fragmentação da produção de bens industriais. Nos últimos 20 anos, o comércio das cadeias produtivas (supply chain trade) vem crescendo gradualmente. Trata-se do intercâmbio de bens, investimentos, serviços e tecnologia associado às redes internacionais de produção, que combinam a inovação dos países desenvolvidos com salários baixos dos países em desenvolvimento.

No comércio das cadeias de suprimento, o investimento produtivo dos países desenvolvidos só vai ocorrer desde que certas regras e reformas que garantem a proteção dos bens tangíveis e intangíveis das empresas sejam adotadas pelos países emergentes e em desenvolvimento e caso haja integração da cadeia produtiva no intercâmbio global.

As redes de inovação-produção-comercialização encontram-se dispersas em empresas e países. A ampliação das cadeias produtivas globais e o crescente intercâmbio de partes e componentes está mudando a forma de tratar as trocas tradicionais de bens e serviços. A industrialização e a produção de manufaturas dependerá da participação dos países em desenvolvimento nessas cadeias produtivas de maior valor agregado. Ao ficar de fora do circuito das cadeias produtivas globais, a maioria dos países em desenvolvimento, o Brasil incluído, passa a concentrar suas exportações em commodities e suas exportações de manufaturados tornam-se cada vez mais reduzidas.

A incorporação das cadeias de produção global nos mega-acordos de livre-comércio, como o eventual acordo EUA-União Europeia, representa um desafio adicional, pois traz de volta preocupações geopolíticas para o comércio internacional. Considerações de política externa levam as duas regiões a tentar superar diferenças comerciais em função de interesses comuns para a prevalência de normas internacionais e valores e para a contenção da China.

O mundo está se multipolarizando rapidamente e a produção e as cadeias produtivas estão se multilateralizando. A crescente aceitação desse novo modelo de desenvolvimento pelos países asiáticos e alguns latino-americanos representa um grande desafio para os países emergentes como a China, a Índia, o Brasil e a Rússia, que relutam em aceitar a lógica dos atuais fluxos de investimento e do comércio.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) procura regular e facilitar o intercâmbio tradicional - que diz respeito a bens produzidos num determinado país e vendidos em outro - com regras que dificultem ou eliminem as barreiras na fronteira (tarifas) e visem a penalizar a competição desleal (subsídios e dumping) com medidas compensatórias. As novas regras do comércio das cadeias produtivas começam a ser definidas de forma ad hoc nos acordos de comércio regional (como os dos EUA com países da Ásia e com a Europa), tratados bilaterais de comércio e de investimento (como os dos EUA e da Europa com a Coreia do Sul e com o países da América Latina) e por meio de reformas unilaterais dos países em desenvolvimento.

Os acordos regionais de livre-comércio (10 acordos dos EUA, 11 do Japão e 58 da União Europeia, segundo a OMC) registram 52 regras, das quais 38 não estão incorporadas à OMC; 14 tocam em disciplinas cobertas pelas regras da OMC, mas vão além delas (OMC plus); 12 das 52 regras estão presentes em 80% dos acordos firmados pelos EUA. A maioria das disposições legalmente obrigatórias são uma ampliação das regras existentes na OMC sobre propriedade intelectual (Trips), garantia de investimento (Trim), serviços, movimentos de capital e cooperação aduaneira.

A nova governança global, portanto, está sendo formada à margem das discussões multilaterais da OMC, com profundas consequências para os países em desenvolvimento.

O Brasil, sem estratégia de negociação comercial e com dificuldades para criar um mercado regional para seus produtos, integrados numa cadeia produtiva regional com os demais países, a exemplo do que ocorre na Ásia e na Europa, está cada vez mais isolado e dificilmente poderá beneficiar-se dessas novas tendências do comércio internacional. Os países que integram a Aliança do Pacífico - México, Chile, Colômbia e Peru - firmaram acordos com os EUA, com a Europa e com a China e estão inseridos no contexto dinâmico dos acordos regionais de livre-comércio. A fragmentação da produção e a exclusão das negociações externas começam a afetar o comércio externo brasileiro de manufaturas pela perda de sua competitividade e pela concorrência da China.

Se a política do governo Dilma Rousseff visando ao fortalecimento da indústria nacional der certo, sem o Brasil estar integrado ao dinâmico intercâmbio da cadeia produtiva global, o máximo que o País pode almejar no longo prazo é manter a produção industrial para o mercado interno com medidas protecionistas, para compensar a maior competitividade dos produtos importados.

O mundo não vai esperar o Brasil. Ou o Brasil recupera o tempo perdido e reformula a sua estratégia de negociação comercial externa, ou vai tornar-se cada vez mais isolado no mundo real do comércio global e de investimentos.

* Rubens Barbosa é presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Agenda




FORMAÇÃO, PESQUISA E PRÁTICAS
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15 a 19 de setembro de 2013 | João Pessoa - PB

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Atualidade

 Divulgação - Lapis/Ufal Imagem de satélite de quinta-feira (14) mostra ponto iluminado entre Estados do Mato Grosso e Tocantins que seria o meteoro que atingiu a Rússia
  • Imagem de satélite de quinta-feira (14) mostra ponto iluminado entre Estados do Mato Grosso e Tocantins que seria o meteoro que atingiu a Rússia
Imagem captada pelo satélite europeu Meteosat-9 e recebida por uma estação no Brasil mostra que o meteoro, que explodiu no céu da Rússia e deixou pelo menos mil feridos, cruzou o céu brasileiro no final da tarde de quinta-feira (14).
Segundo o Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite da Universidade Federal da Alagoas (Lapis), onde fica a estação que recebeu a imagem, um feixe de luz com a aproximação do meteoro foi captado às 17h20 (horário de Brasília) cruzando a divisa entre os Estados do Mato Grosso e Tocantins.
Para o meteorologista e coordenador do Lapis, Humberto Barbosa, a imagem deixa claro que o meteoro passou pelo país antes de chegar e explodir na Rússia. "O satélite realmente detectou o meteoro no Brasil. Não há como afirmar se naquele momento ele estava sobre o Brasil ou ainda se aproximando. Mas foi visto de um satélite que está a 36 mil km, do lado do hemisfério sul, onde o Brasil esta localizado", explicou.

Meteoro explode no céu da Rússia 

Meteoro explodiu na região de Tcheliabinsk, nos Montes Urais (Rússia), nesta sexta-feira (15). Autoridades informaram que a explosão provocou danos em prédios e casas e deixou cerca de 500 feridos Leia mais Oleg Kargopolov/AFP
Barbosa afirma que a imagem mostra o meteoro da atmosfera. "O formato que vemos na imagem é muito parecido com formato de um meteoro entrando na atmosfera –que se estende por várias dezenas de km da Terra. Pelo formato da imagem, em algum momento, parece que ele atingiu parte da atmosfera da Terra", explicou.
Segundo o cientista, apesar da clareza da imagem captada pelo satélite, não é possível afirmar a distância e a velocidade com que o satélite passou pelo país. "O satélite está na mesma velocidade de rotação da Terra. Comparando com um carro, é como você estar dirigindo e olhar um feixe de luz no retrovisor. Você não consegue afirmar a velocidade do carro, nem exatamente onde ele está", completou, citando que as imagens a serem analisadas vão ajudar a entender melhor o fenômeno.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

América Latina


Argentina à beira de uma ditadura

Jornal do Brasil

Sergio Sebold *
Sem sombra de dúvidas, a Argentina é o país  de maior grau de politização da America Latina. É uma  sociedade bem informada e tem participado ativamente em todos os movimento sociais que por lá pipocam.  Os recentes movimentos de massa da população pela insatisfação da política da presidente Cristina Kirchner deixa um ponto de interrogação no país vizinho. As manifestações que se tem visto pela mídia demonstram um descontentamento generalizado sobre as políticas que estão sendo implementadas no país. A forma sui generis desenvolvida do panelaço pacífico bem demonstra o grau político da sociedade do nosso vizinho.   
As poderosas centrais sindicais Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA) e a Central Geral dos Trabalhadores (CGT) a tempo vem enfrentando uma quebra de braço com o governo de Cristina. O arrocho fiscal pela retirada de certas vantagens de benefício social, em outras épocas suportáveis, agora tem forte resistência das massas graças ao alto grau político da sociedade. 
Alem do panelaço, as centrais estão ocupando as principais entradas da cidade (Buenos Aires) para paralisar totalmente a circulação dos bens necessários à sociedade num confronto  aberto  com o governo.  O braço do grupo dos caminhoneiros ligados à CGT pretende paralisar a economia. Outros setores importantes da economia aumentam o caldo de insatisfação contra Cristina, como serviços municipais, bancos, postos de gasolina, taxista e outras categorias.  
O congelamento de preços para redução da inflação (extraoficialmente em 25% ao ano), onde o poder de compra da classe média e baixa está se deteriorando — através do corte de incentivos fiscais —permitirá ao Estado recolher mais para si. Dinheiro retido esfria inflação tirando de circulação parte do consumo mensal do trabalhador. O desemprego está indo para as nuvens. Para manter o equilíbrio fiscal, o governo vem cortando diversos subsídios, diretos e indiretos, concedidos em outras épocas (transporte público, por exemplo), que criou falsa impressão de desenvolvimento social e econômico. O controle artificial do câmbio, pela supervalorização do peso, estatização de empresas, novas concessões de benefícios sem sustentabilidade, são medidas de curto prazo para apagar  incêndio. Este é o cenário de endividamento público estratosférico. Este filme já foi visto na Grécia. 
A deterioração da economia, principalmente no comércio internacional, pela suspensão generalizada de importações — inclusive do Mercosul — está levando a uma condição econômica insustentável. Como consequência, o mercado financeiro internacional começa virar as costas para o país.
O setor industrial está em extinção, justamente o que mais emprega, ficando o país cada vez mais dependente da produção agrícola para exportação. Agricultura não é uma grande absorvedora de mão de obra e de baixo valor agregado. Logo o kirchnerismo está empurrando a nação para um beco sem saída. 
A paciência dos cidadãos está se esgotando, as manifestações estão cada vez mais violentas, pressionando Cristina, que não consegue mais esconder as dificuldades de administrar as necessidades da sociedade.
Recentemente, tem havido saques em diversas cidades do país, aflorando o desespero das pessoas. Os saques de 2001 por comida agora foram além pelo  vandalismo, pela insatisfação. O governo está perdendo as rédeas, com risco de uma anarquia social. O tecido social começa a entrar em colapso. Para complicar, Cristina (popularidade de 36%) comprou uma briga com a imprensa através da Lei de Mídia. Com este calderão será difícil completar seu mandato, e Cristina será forçada a renunciar, abrindo caminho para uma ditadura. Em qualquer direção, de direita ou de esquerda, será um retrocesso político. 
 * Sergio Sebold, economista, é professor
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